top of page

Keytruda® (Pembrolizumabe): avanços da imunoterapia no tratamento de diferentes tipos de câncer

18 de out.
7 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Logotipo Keytruda Pembrolizumabe com células de imunoterapia.

Entenda o papel dessa imunoterapia no tratamento do câncer, suas principais indicações e a importância do acompanhamento médico.


O Keytruda®, cujo princípio ativo é o pembrolizumabe, é um medicamento utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer. Ele pertence ao grupo das imunoterapias e atua ajudando o sistema imunológico a combater as células tumorais. Sua utilização depende das características da doença e da avaliação individual realizada pelo oncologista. (ema.europa.eu⁠)


Para pacientes e familiares, compreender esse tratamento também envolve conhecer seus limites, possíveis efeitos adversos e cuidados de conservação. Neste artigo, reunimos informações de bulas e de instituições oficiais para esclarecer as principais dúvidas.


O que é Keytruda® e qual é seu princípio ativo?


Keytruda® é o nome comercial do pembrolizumabe, um anticorpo monoclonal que tem como alvo a proteína PD-1.


Anticorpos monoclonais são proteínas desenvolvidas para reconhecer alvos específicos no organismo. No caso do pembrolizumabe, o bloqueio de PD-1 favorece a atividade de células de defesa contra o câncer. O medicamento faz parte de uma classe chamada inibidores de pontos de controle imunológico, também conhecidos como checkpoint inhibitors. (ema.europa.eu⁠, cancer.gov⁠)


Na apresentação intravenosa descrita na bula brasileira consultada, cada frasco-ampola contém 100 mg de pembrolizumabe em 4 mL, na concentração de 25 mg/mL. A quantidade de frascos necessária para uma aplicação depende da dose prescrita. (saude.msd.com.br⁠)


Como o pembrolizumabe funciona no organismo?


O sistema imunológico possui mecanismos que controlam a intensidade das respostas de defesa. Esses mecanismos ajudam a evitar ataques aos tecidos saudáveis.


Algumas células tumorais conseguem explorar esse controle. A interação entre proteínas como PD-1 e PD-L1 pode enviar um sinal que reduz a atividade dos linfócitos T, células importantes na defesa do organismo.


O pembrolizumabe bloqueia PD-1 e dificulta esse sinal de inibição, favorecendo a resposta imunológica contra o tumor. Por isso, sua ação é diferente daquela dos quimioterápicos convencionais. Imunoterapia e quimioterapia podem, inclusive, integrar o mesmo tratamento, quando essa combinação é indicada. (cancer.gov⁠, cancer.gov⁠)


Para que serve Keytruda®?


A bula brasileira contempla diferentes indicações, cada uma com critérios próprios. Entre os tipos de câncer previstos estão:


* Melanoma.

* Câncer de pulmão de células não pequenas.

* Mesotelioma pleural maligno.

* Carcinoma urotelial, incluindo determinados cânceres de bexiga.

* Câncer gástrico e da junção gastroesofágica.

* Linfoma de Hodgkin clássico.

* Linfoma de grandes células B primário do mediastino.

* Carcinoma de células renais.

* Câncer de cabeça e pescoço.

* Câncer de esôfago.

* Câncer endometrial.

* Câncer de mama triplo-negativo.

* Câncer do colo do útero.

* Carcinoma do trato biliar.

* Carcinoma cutâneo de células escamosas.

* Determinados tumores definidos por biomarcadores. (saude.msd.com.br⁠)


Ter um desses diagnósticos não significa, por si só, ter indicação para receber pembrolizumabe. O estágio da doença, os tratamentos anteriores, os exames do tumor e o esquema proposto precisam ser considerados. (ema.europa.eu⁠)


Ampliação de indicação para câncer de ovário


Em fevereiro de 2026, a Anvisa divulgou a aprovação do uso de Keytruda® com paclitaxel, com ou sem bevacizumabe, para determinados pacientes com carcinoma epitelial de ovário, tuba uterina ou peritônio primário resistente à platina.


A indicação exige expressão de PD-L1 com pontuação positiva combinada — PPC ≥ 1 — e tratamentos sistêmicos prévios, conforme os critérios oficiais. Portanto, essa aprovação se refere a uma situação clínica específica. (gov.br⁠)


Ampliação de indicação para câncer renal


Em julho de 2026, a Anvisa também divulgou a aprovação de pembrolizumabe associado ao belzutifano no tratamento adjuvante de adultos com carcinoma de células renais com componente de células claras e risco intermediário-alto ou alto de recorrência após cirurgia, conforme as condições descritas pela agência.


Nesse contexto, o objetivo é reduzir o risco de retorno da doença após a nefrectomia, com ou sem retirada de lesões metastáticas. (gov.br⁠)


Qual é a importância dos exames do tumor?


Em determinadas indicações, os exames ajudam a identificar se o paciente atende aos critérios para receber a imunoterapia.


A expressão de PD-L1 é um dos parâmetros utilizados. Também podem ser relevantes a instabilidade de microssatélites alta (MSI-H) e a deficiência do sistema de reparo do DNA (dMMR). Esses resultados precisam ser interpretados junto ao diagnóstico e ao histórico de tratamento. (ema.europa.eu⁠)


Outra situação prevista na bula brasileira envolve determinados tumores sólidos com alta carga mutacional tumoral (TMB-H), após tratamento anterior e sem alternativas satisfatórias, mediante teste validado e demais critérios da indicação. (saude.msd.com.br⁠)


Na consulta, uma pergunta útil é: “Quais características do meu tumor justificam a escolha deste tratamento?”


O tratamento pode ser feito antes ou depois da cirurgia?


Sim, em situações específicas. Os termos usados pela equipe médica ajudam a entender o momento e o objetivo do tratamento:


Termo Significado

Neoadjuvante Tratamento realizado antes da cirurgia.

Adjuvante Tratamento realizado após a cirurgia, para reduzir o risco de retorno da doença.

Monoterapia Uso do medicamento sem outro antineoplásico associado naquele esquema.

Tratamento combinado Associação com outros medicamentos e, em algumas indicações, radioterapia.


O pembrolizumabe pode participar dessas diferentes estratégias, conforme o tipo de câncer e os critérios aprovados. Isso significa que seu uso não se limita à doença metastática. (ema.europa.eu⁠)


Como Keytruda® é administrado?


A apresentação intravenosa é aplicada em hospital ou clínica, sob supervisão de profissionais experientes em oncologia. A infusão dura aproximadamente 30 minutos.


Na bula consultada, os esquemas para adultos incluem 200 mg a cada três semanas ou 400 mg a cada seis semanas. A escolha e a duração dependem da indicação e da avaliação médica. Essas informações descrevem esquemas de bula e não constituem orientação individual de dose. (saude.msd.com.br⁠)


Existe uma apresentação subcutânea?


Sim. Em junho de 2026, a MSD informou a aprovação pela Anvisa de Keytruda SC™, uma formulação que associa pembrolizumabe e berahialuronidase alfa-pmph e é administrada sob a pele por profissional de saúde.


Essa apresentação tem composição e instruções próprias. O frasco intravenoso não deve ser aplicado por via subcutânea. A definição da formulação e qualquer mudança no esquema devem ser conduzidas pela equipe responsável. (msd.com.br⁠)


Quais efeitos colaterais podem ocorrer?


Os inibidores de pontos de controle imunológico podem provocar cansaço, diarreia e alterações na pele. Também podem causar inflamações em órgãos, como pulmões, intestino, fígado, rins, coração e glândulas hormonais.


Essas reações acontecem porque a ativação imunológica também pode atingir tecidos saudáveis. A intensidade varia entre os pacientes. (cancer.gov⁠)


Os efeitos adversos podem surgir durante o tratamento ou depois de seu término. Algumas reações podem ser graves, o que torna essencial comunicar sintomas novos à equipe assistente. (cancer.gov⁠)


Quais sintomas exigem atenção imediata?


Procure orientação médica imediatamente diante de:


* Falta de ar, dor no peito ou tosse nova.

* Diarreia importante, sangue nas fezes ou dor abdominal intensa.

* Pele ou olhos amarelados.

* Alterações importantes na quantidade de urina.

* Bolhas, descamação ou feridas na pele.

* Confusão, fraqueza intensa ou alterações neurológicas.


Esses sinais precisam de avaliação, mesmo que apareçam após o encerramento das aplicações. Em caso de sintomas intensos, procure atendimento de urgência. (saude.msd.com.br⁠)


Quais cuidados devem ser discutidos antes do início?


A equipe médica deve conhecer o histórico de doenças autoimunes, transplantes e problemas pulmonares ou hepáticos, além de todos os medicamentos utilizados.


Gravidez, possibilidade de engravidar e amamentação também precisam ser discutidas. O pembrolizumabe pode causar danos ao feto, e a bula estabelece cuidados específicos.


Não suspenda por conta própria medicamentos como corticoides. Eles podem exigir avaliação antes da imunoterapia e também podem ser prescritos para controlar reações ao tratamento. (saude.msd.com.br⁠)


Como conservar Keytruda®?


Para a apresentação intravenosa, a bula orienta:


* Refrigeração entre 2 °C e 8 °C.

* Não congelar.

* Manter na embalagem original, protegido da luz.

* Não agitar.


O transporte e o armazenamento devem preservar essas condições. Se houver suspeita de congelamento ou exposição inadequada à temperatura, o produto precisa ser avaliado pelo serviço farmacêutico antes do uso. (saude.msd.com.br⁠)


Procedência e autenticidade do medicamento


A verificação da procedência é parte importante da segurança. Em abril de 2026, a Anvisa publicou uma medida de apreensão envolvendo uma unidade falsificada de Keytruda®, identificada por combinação específica de lote e número de série.


O alerta reforça a necessidade de conferir documentação, embalagem, identificação e origem do produto. Diante de suspeitas, procure o fabricante e os canais oficiais de vigilância sanitária antes da utilização. (gov.br⁠)


Perguntas frequentes sobre Keytruda®


Keytruda® e pembrolizumabe são a mesma coisa?


Keytruda® é a marca comercial; pembrolizumabe é o princípio ativo. A apresentação deve ser conferida na embalagem e na prescrição. (saude.msd.com.br⁠)


Keytruda® é quimioterapia?


É uma imunoterapia. Seu mecanismo envolve o bloqueio de PD-1 para favorecer a resposta imunológica contra o tumor. Em algumas indicações, é utilizado com quimioterapia. (cancer.gov⁠, cancer.gov⁠)


O medicamento funciona para todos os pacientes?


Não há garantia de resposta individual. Os benefícios demonstrados em estudos se referem a grupos com características específicas; a avaliação médica determina como essas evidências se aplicam a cada caso. (ema.europa.eu⁠)


Pode ser utilizado em crianças?


Existem indicações pediátricas específicas, com critérios de idade e diagnóstico. A existência de uso pediátrico não permite extrapolar o tratamento para qualquer câncer infantil. (saude.msd.com.br⁠)


Onde consultar a bula?


A MSD disponibiliza as bulas brasileira do paciente e do profissional de saúde. Os links estão na seção abaixo. Como as indicações podem ser atualizadas, consulte sempre a versão vigente.


⸻


Fontes consultadas


Bulas brasileiras


1. MSD — Bula do profissional de saúde de Keytruda®

Referência para apresentação, indicações, biomarcadores e esquemas terapêuticos.

Consultar a bula profissional⁠


2. MSD — Bula do paciente de Keytruda®

Informações sobre administração, precauções, efeitos adversos e conservação.

Consultar a bula do paciente⁠


Atualizações brasileiras


3. Anvisa — Nova indicação para câncer de ovário

Publicação de 23 de fevereiro de 2026.

Consultar a atualização⁠


4. Anvisa — Ampliação de indicação para câncer renal

Publicação de julho de 2026.

Consultar a notícia oficial⁠


5. MSD Brasil — Aprovação da apresentação subcutânea

Comunicado de junho de 2026.

Conhecer a apresentação subcutânea⁠


6. Anvisa — Alerta sobre medicamentos falsificados

Publicação de abril de 2026.

Consultar o alerta sanitário⁠


Referências internacionais


7. National Cancer Institute — Immune Checkpoint Inhibitors

Explicação sobre o mecanismo e os riscos dessa classe de imunoterapia.

Acessar o conteúdo do NCI⁠


8. National Cancer Institute — Pembrolizumab

Informações sobre o medicamento no contexto regulatório dos Estados Unidos.

Consultar a página do pembrolizumabe⁠


9. National Cancer Institute — Immunotherapy Side Effects

Informações sobre efeitos adversos e sua ocorrência durante e após o tratamento.

Consultar os cuidados com a imunoterapia⁠


10. European Medicines Agency — Keytruda

Visão geral do medicamento e de sua avaliação na União Europeia.

Consultar a página da EMA⁠


Fontes consultadas em 18 de outubro de 2026. As aprovações e condições de uso podem diferir entre países.


Informação ao leitor: este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, prescrição ou acompanhamento médico. Keytruda® é um medicamento sujeito a prescrição. A indicação e o acompanhamento devem ser realizados pela equipe responsável pelo tratamento.





 
 
 

Comentários


bottom of page