Keytruda® (Pembrolizumabe): avanços da imunoterapia no tratamento de diferentes tipos de câncer
Atualizado: há 5 dias

Entenda o papel dessa imunoterapia no tratamento do câncer, suas principais indicações e a importância do acompanhamento médico.
O Keytruda®, cujo princípio ativo é o pembrolizumabe, é um medicamento utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer. Ele pertence ao grupo das imunoterapias e atua ajudando o sistema imunológico a combater as células tumorais. Sua utilização depende das características da doença e da avaliação individual realizada pelo oncologista. (ema.europa.eu)
Para pacientes e familiares, compreender esse tratamento também envolve conhecer seus limites, possíveis efeitos adversos e cuidados de conservação. Neste artigo, reunimos informações de bulas e de instituições oficiais para esclarecer as principais dúvidas.
O que é Keytruda® e qual é seu princípio ativo?
Keytruda® é o nome comercial do pembrolizumabe, um anticorpo monoclonal que tem como alvo a proteína PD-1.
Anticorpos monoclonais são proteínas desenvolvidas para reconhecer alvos específicos no organismo. No caso do pembrolizumabe, o bloqueio de PD-1 favorece a atividade de células de defesa contra o câncer. O medicamento faz parte de uma classe chamada inibidores de pontos de controle imunológico, também conhecidos como checkpoint inhibitors. (ema.europa.eu, cancer.gov)
Na apresentação intravenosa descrita na bula brasileira consultada, cada frasco-ampola contém 100 mg de pembrolizumabe em 4 mL, na concentração de 25 mg/mL. A quantidade de frascos necessária para uma aplicação depende da dose prescrita. (saude.msd.com.br)
Como o pembrolizumabe funciona no organismo?
O sistema imunológico possui mecanismos que controlam a intensidade das respostas de defesa. Esses mecanismos ajudam a evitar ataques aos tecidos saudáveis.
Algumas células tumorais conseguem explorar esse controle. A interação entre proteínas como PD-1 e PD-L1 pode enviar um sinal que reduz a atividade dos linfócitos T, células importantes na defesa do organismo.
O pembrolizumabe bloqueia PD-1 e dificulta esse sinal de inibição, favorecendo a resposta imunológica contra o tumor. Por isso, sua ação é diferente daquela dos quimioterápicos convencionais. Imunoterapia e quimioterapia podem, inclusive, integrar o mesmo tratamento, quando essa combinação é indicada. (cancer.gov, cancer.gov)
Para que serve Keytruda®?
A bula brasileira contempla diferentes indicações, cada uma com critérios próprios. Entre os tipos de câncer previstos estão:
* Melanoma.
* Câncer de pulmão de células não pequenas.
* Mesotelioma pleural maligno.
* Carcinoma urotelial, incluindo determinados cânceres de bexiga.
* Câncer gástrico e da junção gastroesofágica.
* Linfoma de Hodgkin clássico.
* Linfoma de grandes células B primário do mediastino.
* Carcinoma de células renais.
* Câncer de cabeça e pescoço.
* Câncer de esôfago.
* Câncer endometrial.
* Câncer de mama triplo-negativo.
* Câncer do colo do útero.
* Carcinoma do trato biliar.
* Carcinoma cutâneo de células escamosas.
* Determinados tumores definidos por biomarcadores. (saude.msd.com.br)
Ter um desses diagnósticos não significa, por si só, ter indicação para receber pembrolizumabe. O estágio da doença, os tratamentos anteriores, os exames do tumor e o esquema proposto precisam ser considerados. (ema.europa.eu)
Ampliação de indicação para câncer de ovário
Em fevereiro de 2026, a Anvisa divulgou a aprovação do uso de Keytruda® com paclitaxel, com ou sem bevacizumabe, para determinados pacientes com carcinoma epitelial de ovário, tuba uterina ou peritônio primário resistente à platina.
A indicação exige expressão de PD-L1 com pontuação positiva combinada — PPC ≥ 1 — e tratamentos sistêmicos prévios, conforme os critérios oficiais. Portanto, essa aprovação se refere a uma situação clínica específica. (gov.br)
Ampliação de indicação para câncer renal
Em julho de 2026, a Anvisa também divulgou a aprovação de pembrolizumabe associado ao belzutifano no tratamento adjuvante de adultos com carcinoma de células renais com componente de células claras e risco intermediário-alto ou alto de recorrência após cirurgia, conforme as condições descritas pela agência.
Nesse contexto, o objetivo é reduzir o risco de retorno da doença após a nefrectomia, com ou sem retirada de lesões metastáticas. (gov.br)
Qual é a importância dos exames do tumor?
Em determinadas indicações, os exames ajudam a identificar se o paciente atende aos critérios para receber a imunoterapia.
A expressão de PD-L1 é um dos parâmetros utilizados. Também podem ser relevantes a instabilidade de microssatélites alta (MSI-H) e a deficiência do sistema de reparo do DNA (dMMR). Esses resultados precisam ser interpretados junto ao diagnóstico e ao histórico de tratamento. (ema.europa.eu)
Outra situação prevista na bula brasileira envolve determinados tumores sólidos com alta carga mutacional tumoral (TMB-H), após tratamento anterior e sem alternativas satisfatórias, mediante teste validado e demais critérios da indicação. (saude.msd.com.br)
Na consulta, uma pergunta útil é: “Quais características do meu tumor justificam a escolha deste tratamento?”
O tratamento pode ser feito antes ou depois da cirurgia?
Sim, em situações específicas. Os termos usados pela equipe médica ajudam a entender o momento e o objetivo do tratamento:
Termo Significado
Neoadjuvante Tratamento realizado antes da cirurgia.
Adjuvante Tratamento realizado após a cirurgia, para reduzir o risco de retorno da doença.
Monoterapia Uso do medicamento sem outro antineoplásico associado naquele esquema.
Tratamento combinado Associação com outros medicamentos e, em algumas indicações, radioterapia.
O pembrolizumabe pode participar dessas diferentes estratégias, conforme o tipo de câncer e os critérios aprovados. Isso significa que seu uso não se limita à doença metastática. (ema.europa.eu)
Como Keytruda® é administrado?
A apresentação intravenosa é aplicada em hospital ou clínica, sob supervisão de profissionais experientes em oncologia. A infusão dura aproximadamente 30 minutos.
Na bula consultada, os esquemas para adultos incluem 200 mg a cada três semanas ou 400 mg a cada seis semanas. A escolha e a duração dependem da indicação e da avaliação médica. Essas informações descrevem esquemas de bula e não constituem orientação individual de dose. (saude.msd.com.br)
Existe uma apresentação subcutânea?
Sim. Em junho de 2026, a MSD informou a aprovação pela Anvisa de Keytruda SC™, uma formulação que associa pembrolizumabe e berahialuronidase alfa-pmph e é administrada sob a pele por profissional de saúde.
Essa apresentação tem composição e instruções próprias. O frasco intravenoso não deve ser aplicado por via subcutânea. A definição da formulação e qualquer mudança no esquema devem ser conduzidas pela equipe responsável. (msd.com.br)
Quais efeitos colaterais podem ocorrer?
Os inibidores de pontos de controle imunológico podem provocar cansaço, diarreia e alterações na pele. Também podem causar inflamações em órgãos, como pulmões, intestino, fígado, rins, coração e glândulas hormonais.
Essas reações acontecem porque a ativação imunológica também pode atingir tecidos saudáveis. A intensidade varia entre os pacientes. (cancer.gov)
Os efeitos adversos podem surgir durante o tratamento ou depois de seu término. Algumas reações podem ser graves, o que torna essencial comunicar sintomas novos à equipe assistente. (cancer.gov)
Quais sintomas exigem atenção imediata?
Procure orientação médica imediatamente diante de:
* Falta de ar, dor no peito ou tosse nova.
* Diarreia importante, sangue nas fezes ou dor abdominal intensa.
* Pele ou olhos amarelados.
* Alterações importantes na quantidade de urina.
* Bolhas, descamação ou feridas na pele.
* Confusão, fraqueza intensa ou alterações neurológicas.
Esses sinais precisam de avaliação, mesmo que apareçam após o encerramento das aplicações. Em caso de sintomas intensos, procure atendimento de urgência. (saude.msd.com.br)
Quais cuidados devem ser discutidos antes do início?
A equipe médica deve conhecer o histórico de doenças autoimunes, transplantes e problemas pulmonares ou hepáticos, além de todos os medicamentos utilizados.
Gravidez, possibilidade de engravidar e amamentação também precisam ser discutidas. O pembrolizumabe pode causar danos ao feto, e a bula estabelece cuidados específicos.
Não suspenda por conta própria medicamentos como corticoides. Eles podem exigir avaliação antes da imunoterapia e também podem ser prescritos para controlar reações ao tratamento. (saude.msd.com.br)
Como conservar Keytruda®?
Para a apresentação intravenosa, a bula orienta:
* Refrigeração entre 2 °C e 8 °C.
* Não congelar.
* Manter na embalagem original, protegido da luz.
* Não agitar.
O transporte e o armazenamento devem preservar essas condições. Se houver suspeita de congelamento ou exposição inadequada à temperatura, o produto precisa ser avaliado pelo serviço farmacêutico antes do uso. (saude.msd.com.br)
Procedência e autenticidade do medicamento
A verificação da procedência é parte importante da segurança. Em abril de 2026, a Anvisa publicou uma medida de apreensão envolvendo uma unidade falsificada de Keytruda®, identificada por combinação específica de lote e número de série.
O alerta reforça a necessidade de conferir documentação, embalagem, identificação e origem do produto. Diante de suspeitas, procure o fabricante e os canais oficiais de vigilância sanitária antes da utilização. (gov.br)
Perguntas frequentes sobre Keytruda®
Keytruda® e pembrolizumabe são a mesma coisa?
Keytruda® é a marca comercial; pembrolizumabe é o princípio ativo. A apresentação deve ser conferida na embalagem e na prescrição. (saude.msd.com.br)
Keytruda® é quimioterapia?
É uma imunoterapia. Seu mecanismo envolve o bloqueio de PD-1 para favorecer a resposta imunológica contra o tumor. Em algumas indicações, é utilizado com quimioterapia. (cancer.gov, cancer.gov)
O medicamento funciona para todos os pacientes?
Não há garantia de resposta individual. Os benefícios demonstrados em estudos se referem a grupos com características específicas; a avaliação médica determina como essas evidências se aplicam a cada caso. (ema.europa.eu)
Pode ser utilizado em crianças?
Existem indicações pediátricas específicas, com critérios de idade e diagnóstico. A existência de uso pediátrico não permite extrapolar o tratamento para qualquer câncer infantil. (saude.msd.com.br)
Onde consultar a bula?
A MSD disponibiliza as bulas brasileira do paciente e do profissional de saúde. Os links estão na seção abaixo. Como as indicações podem ser atualizadas, consulte sempre a versão vigente.
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Fontes consultadas
Bulas brasileiras
1. MSD — Bula do profissional de saúde de Keytruda®
Referência para apresentação, indicações, biomarcadores e esquemas terapêuticos.
Consultar a bula profissional
2. MSD — Bula do paciente de Keytruda®
Informações sobre administração, precauções, efeitos adversos e conservação.
Consultar a bula do paciente
Atualizações brasileiras
3. Anvisa — Nova indicação para câncer de ovário
Publicação de 23 de fevereiro de 2026.
Consultar a atualização
4. Anvisa — Ampliação de indicação para câncer renal
Publicação de julho de 2026.
Consultar a notícia oficial
5. MSD Brasil — Aprovação da apresentação subcutânea
Comunicado de junho de 2026.
Conhecer a apresentação subcutânea
6. Anvisa — Alerta sobre medicamentos falsificados
Publicação de abril de 2026.
Consultar o alerta sanitário
Referências internacionais
7. National Cancer Institute — Immune Checkpoint Inhibitors
Explicação sobre o mecanismo e os riscos dessa classe de imunoterapia.
Acessar o conteúdo do NCI
8. National Cancer Institute — Pembrolizumab
Informações sobre o medicamento no contexto regulatório dos Estados Unidos.
Consultar a página do pembrolizumabe
9. National Cancer Institute — Immunotherapy Side Effects
Informações sobre efeitos adversos e sua ocorrência durante e após o tratamento.
Consultar os cuidados com a imunoterapia
10. European Medicines Agency — Keytruda
Visão geral do medicamento e de sua avaliação na União Europeia.
Consultar a página da EMA
Fontes consultadas em 18 de outubro de 2026. As aprovações e condições de uso podem diferir entre países.
Informação ao leitor: este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, prescrição ou acompanhamento médico. Keytruda® é um medicamento sujeito a prescrição. A indicação e o acompanhamento devem ser realizados pela equipe responsável pelo tratamento.




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